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Servidor de Oriente atravessa gerações e mantém trabalho diário aos 88 anos

Miguel não se adaptou ao computador e ainda utiliza uma antiga máquina de escrever - Foto: Wagner Montty

Aos 88 anos de idade, o senhor Miguel Zoqui Pedrosa mantém a mesma rotina de quando era adolescente. Enquanto muitos já desfrutam da aposentadoria há décadas, seu compromisso diário continua sendo o mesmo: viaja de Marília a Oriente para trabalhar. A história desse servidor público municipal se confunde com a da Prefeitura de Oriente, onde iniciou sua trajetória aos 14 anos e se tornou testemunha de gerações, transformações e do crescimento do município.

Exercendo atualmente o cargo de Diretor de Planejamento, Pedrosa iniciou sua carreira como aprendiz e realizou várias funções ao longo dos anos. Foi escriturário, lançador, tesoureiro, Secretário e Chefe de Serviço da Fazenda e Diretor Administrativo. Mesmo já aposentado, ele não se permite parar e afirma que este é o segredo para a longevidade.

Desde 1952, quando iniciou na Prefeitura de Oriente, passou por vários prefeitos. “Cada prefeito passa por uma realidade diferente. Me lembro de quando a usina Paredão encerrou suas atividades e passamos por muitas dificuldades porque a usina empregava quase 5 mil pessoas. Então as pessoas se mudaram de Oriente, poucas pessoas ficaram”, conta.

Para enfrentar as dificuldades do dia a dia, Pedrosa destaca a importância do amor ao trabalho e da prática de se colocar à disposição do próximo. “O servidor público precisa estar à disposição da comunidade, somos servidores da comunidade e trabalhamos bastante”, destaca.

Com o tempo, as tecnologias chegaram até a Prefeitura, o que, segundo o servidor, passou a facilitar e agilizar o trabalho de todos. Porém, ele continua a trabalhar da mesma maneira de quando começou. Não se adaptou ao computador e ainda utiliza uma velha máquina de escrever.

Casado, ele e a esposa nasceram em Oriente e só se mudaram para Marília devido ao trabalho dela. Têm quatro filhos e sete netos que fazem parte de uma história de vida, da qual Pedrosa se lembra com orgulho. “Teve uma época que foi bem difícil nas nossas vidas porque minha esposa ingressou na Educação para trabalhar em Panorama. Nessa época ela também fazia faculdade em Marília e morávamos em Oriente. Foi uma fase difícil porque tínhamos três filhos pequenos”.

Ele afirma que hoje em dia tudo está mais fácil, tanto na vida pessoal quanto na profissional. “A Prefeitura de Oriente também enfrentou muita dificuldade na década de 80 porque foi uma época que a inflação chegava a 60%, 70%. Me lembro que nos sentávamos com o prefeito para ver o que podíamos cortar no orçamento. Também me lembro que nessa época os salários chegaram a atrasar. A gente sentia como o prefeito”. Pedrosa ressalta que administrar uma cidade não é como administrar uma casa.

A pandemia da Covid-19 é outro período relembrado por Pedrosa. “Também foi uma fase muito difícil para os prefeitos. Hoje já está mais tranquilo”, diz.

Para Pedrosa, o tempo não é empecilho para seguir em frente. Em 2012, aos 74 anos de idade, formou-se em Direito pela Univem (Centro Universitário Eurípides de Marília). “Nunca pare. Quando se aposentar procure outra coisa para fazer. Acredito que a maior parte dos problemas de saúde acontecem porque a pessoa para totalmente de trabalhar. Enquanto tiver condições vou trabalhar”.

Dos amigos com quem já trabalhou sente saudades e gratidão. “Perdi bastante amigos que já faleceram, guardo muitas recordações. Éramos poucos funcionários e a colaboração era grande, um ajudava o outro. Não aprendi sozinho, aprendi com eles, com quem estava na Prefeitura há mais tempo”.

Para o futuro, Pedrosa espera que Oriente se desenvolva cada vez mais. “Desejo mais empregos para a cidade para as pessoas não terem que sair para trabalhar em outros municípios”, afirma.

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