O empresário brasileiro João Henrique Pinheiro, que ganhou notoriedade como o candidato mais rico do país nas eleições municipais de 2024 ao concorrer à Prefeitura de Marília, foi extraditado da Espanha e transferido, nesta quinta-feira (9), para uma unidade prisional na cidade de Bermejo, na Bolívia. Em audiência cautelar, a Justiça boliviana determinou a sua prisão preventiva.
João Pinheiro é acusado de aplicar um golpe milionário envolvendo a implementação do Complexo Industrial da Cana-de-Açúcar (Cicasa) no país vizinho. Segundo a denúncia, o empresário teria se apresentado como fornecedor de maquinário especializado para a construção de um engenho, convencendo investidores a assinarem um contrato de aproximadamente US$ 700 mil por equipamentos que não foram entregues. O prejuízo total do caso, somado aos gastos em infraestrutura local, teria ultrapassado a marca de US$ 1 milhão.
Durante a sessão judicial, o juiz entendeu que as provas apresentadas pelo Ministério Público boliviano e pelos produtores eram irrefutáveis e considerou que havia risco iminente de fuga por parte do empresário, determinando sua detenção na unidade prisional de Bermejo.
MANOBRAS /A chegada de Pinheiro ao sistema prisional boliviano encerra uma extensa disputa jurídica na Europa. O empresário estava preso em Madri desde 27 de maio de 2025, depois de ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol, a pedido da Bolívia.
Enquanto esteve detido na Espanha, a defesa do brasileiro fez diversas tentativas de impedir o seu envio para a Bolívia. Os advogados chegaram a acionar o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), pedindo a sua extradição para o Brasil, alegando que ele possuía preferência por já ter sido condenado por estelionato pela Justiça de Marília no ano de 2024.
A defesa também impetrou um pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal), alegando que a Bolívia havia perdido o prazo legal de 45 dias para a entrega dos documentos de extradição. O pedido, contudo, foi negado pelo ministro Luís Roberto Barroso, que argumentou que o STF não possui competência para julgar atos imputados ao Poder Judiciário espanhol.
CAMPANHA E DENÚNCIAS /João Pinheiro disputou a Prefeitura de Marília em 2024 e causou alvoroço ao declarar um patrimônio de R$ 2,8 bilhões ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em sua campanha, o empresário realizou uma “carreata de ostentação”, desfilando com um Porsche, uma Ferrari e um helicóptero pelas avenidas do município paulista. O esforço não se traduziu nas urnas, e ele terminou o pleito na quinta colocação, com apenas 3% dos votos.
A fraude boliviana e a condenação paulista não são os únicos imbróglios do empresário. Em 2024, um empresário norte-americano do ramo açucareiro registrou um boletim de ocorrência por estelionato contra João Pinheiro. Ele acusa o ex-candidato de descumprir um contrato de US$ 6,8 milhões e de reter uma carga de 20 mil toneladas de açúcar. Na época, Pinheiro alegou que a entrega não foi efetuada porque o pagamento do produto não havia sido feito em sua totalidade.