Declarações feitas pelo vereador Everton André Oliveira Santana, o Baianinho, durante a 19ª sessão plenária da Câmara de Ubirajara, realizada em 19 de fevereiro, provocaram reação da prefeita Leila Alvim e da presidente do Legislativo, Elitânia de Fátima Moreira.
Durante discurso na tribuna, o parlamentar fez críticas à gestão municipal, questionando a ausência da prefeita em encontro com deputados que visitaram o município e apontando problemas como iluminação pública, manutenção urbana e suposta falta de diálogo com o Legislativo.
Em um dos trechos, o vereador afirmou que a administração estaria deixando a cidade “no escuro” e classificou o mandato como “apagado”. Ele também mencionou a existência de processos e denúncias contra a gestão, além de declarar que a prefeita “passa óleo de peroba na cara” para pedir votos.
Ainda na sessão, Baianinho criticou a criação de um cargo de advogado na Câmara Municipal, classificando a medida como “estratégia e jogo político”. Em sua fala, utilizou a expressão “rachadinha” ao se referir à contratação, o que motivou reação da presidência do Legislativo.
RESPOSTA /Após a repercussão do vídeo da sessão, a prefeita Leila Alvim publicou manifestação nas redes sociais. No vídeo, afirmou ter se sentido ofendida com as expressões utilizadas pelo vereador, especialmente a referência ao uso de “óleo de peroba”.
Segundo a prefeita, a crítica extrapolou o campo político e assumiu caráter pessoal. Ela classificou as declarações como pejorativas e levantou questionamento sobre possível tratamento diferente caso o chefe do Executivo fosse um homem.
Em nota oficial, a administração municipal afirmou que repudia declarações ofensivas dirigidas à prefeita e destacou que críticas políticas são legítimas, mas não devem ultrapassar o campo das ideias.
LEGISLATIVO /A presidente da Câmara, Elitânia de Fátima Moreira, também divulgou nota à imprensa. No documento, afirmou que as acusações feitas em plenário, especialmente a menção à prática de “rachadinha”, exigem provas e podem configurar, em tese, crime de calúnia.
A presidente negou as acusações e declarou que, se necessário, adotará medidas regimentais e legais cabíveis para apuração dos fatos.
POSICIONAMENTO /Procurado pela reportagem, Baianinho afirmou que houve inversão de sua fala e negou ter feito ataque de cunho machista.
Segundo ele, suas declarações tiveram como objetivo cobrar ações da administração municipal e questionar a legalidade da contratação de assessor jurídico pela presidência da Câmara.
O vereador afirmou que entende a criação do cargo como possível manobra política e disse que utilizou as expressões em referência ao projeto e às cobranças feitas ao Executivo, e não com intenção de ofensa pessoal.