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Denúncia do MP detalha incêndio criminoso que vitimou oito detentos em Marília

Foto: Divulgação

O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) detalhou, na denúncia aceita pela 3ª Vara Criminal de Marília, a cronologia da tragédia que resultou na morte de oito presidiários, em novembro de 2025. De acordo com a acusação, o incêndio criminoso foi provocado por Leandro Inácio da Silva e caracterizado como uma retaliação fútil a uma punição disciplinar aplicada no interior da unidade prisional.

O caso ocorreu no dia 25 de novembro. Conforme a denúncia, Leandro estava no Setor de Inclusão e, inconformado com a sanção recebida, recusou-se a retornar à cela. Mesmo após a tentativa de contenção por parte de outro detento que realizava a faxina, ele ateou fogo em um pedaço de colchão e o arremessou no almoxarifado do pavilhão. As chamas atingiram mantas e outros materiais, provocando a liberação de grande quantidade de fumaça tóxica, que rapidamente se espalhou pelo corredor.

O MP denunciou o acusado por homicídio triplamente qualificado, considerando o emprego de fogo e asfixia, o perigo comum e o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. Segundo a promotoria, os presos estavam trancados em suas celas e não tiveram qualquer possibilidade de escapar da fumaça. Laudos periciais anexados ao processo confirmaram a causa das mortes e a gravidade do incêndio.

Ao receber a denúncia, o juiz Arnaldo Luiz Zasso Valderrama acolheu o pedido do Ministério Público para arquivar as investigações em relação aos agentes penitenciários e a outros detentos que sofreram ferimentos leves ou não tiveram participação direta nos fatos.

O réu também ficou ferido durante o incêndio, precisou ser hospitalizado e passou por intubação. Ele permanece internado no Hospital das Clínicas de Marília, aguardando alta médica para posterior encaminhamento ao sistema prisional, onde responderá judicialmente pelo caso.

Morreram no local do incêndio Charles Andrey Souto Silva, Wender Felipe Maciel, Matheus Gregorio da Silva, Caio Vinicius Oliveira e Thiago Nascimento de Oliveira. Doildo Diego Pires e Wallace Ferreira dos Reis chegaram a ser socorridos ao HC, mas morreram no mesmo dia. Augusto da Silva Gonçalves faleceu dias depois, em 29 de novembro, na Santa Casa de Marília.

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