A Polícia Civil esclareceu nesta terça-feira (13) as circunstâncias do duplo homicídio registrado na noite de segunda-feira (12) em Herculândia. O crime vitimou Leone Rogério Souza de Oliveira, de 21 anos, e Guilherme Bonora de Farias, de 25, e teve como motivação um desentendimento banal que se arrastava havia cerca de um mês.
O caso ocorreu por volta das 19h30, no bairro Herculândia C, na rua Luiz Carlos Antônio. Inicialmente, as vítimas estavam sentadas na calçada de uma residência quando foram atingidas por disparos de arma de fogo. Elas chegaram a ser socorridas ao Hospital Municipal de Herculândia, mas não resistiram aos ferimentos.
No início, circulou a informação de que os autores teriam agido em motocicletas e fugido logo após os disparos. Contudo, o avanço da investigação revelou uma dinâmica distinta.
Segundo a Polícia Civil, o conflito teve início após uma sequência de provocações e “trocas de olhares” entre um adolescente de 17 anos e uma das vítimas. Na noite do crime, após uma discussão prévia, o menor passou de motocicleta em frente ao imóvel onde estavam Leone e Guilherme, dando início a um novo confronto.
Houve luta corporal entre os envolvidos. Durante a briga, uma das vítimas passou a agredir o adolescente com uma barra de ferro, enquanto a outra teria entrado na residência e retornado portando uma faca.
Nesse momento, o irmão do adolescente, um jovem de 19 anos, chegou ao local de bicicleta. Ao presenciar o irmão em situação de risco iminente, ele sacou uma pistola calibre 9 milímetros e efetuou dois disparos contra o rapaz que estava armado com a faca. Em seguida, atingiu também a outra vítima, que tentava deixar o local.
A elucidação do crime foi acelerada pelo envio de vídeos da briga por moradores à polícia, o que permitiu a identificação dos envolvidos. A partir das diligências realizadas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e pela Delegacia de Herculândia, o autor dos disparos se apresentou espontaneamente, acompanhado de advogado, e entregou a arma utilizada no crime.
Como a apresentação ocorreu após o encerramento do período de flagrante, o jovem não permaneceu preso naquele momento, mas foi formalmente indiciado e responderá ao inquérito policial.
A Polícia Civil informou que a investigação prossegue para apurar se a conduta do atirador se enquadra como legítima defesa ou se houve excesso doloso ou culposo. O adolescente de 17 anos figura no inquérito como testemunha em relação aos disparos, já que não há indícios de sua participação direta na execução.
Agora, os investigadores aguardam os laudos periciais para reconstituir a dinâmica dos tiros e concluir o inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público.