A Polícia Civil investiga uma sequência de violência extrema atribuída a um homem de 48 anos, que teria assassinado uma adolescente de 17 anos dentro do próprio apartamento e, cerca de 12 horas depois, tentado matar a ex-companheira em plena via pública, na saída de uma academia, no bairro Fragata, em Marília. O suspeito, Leandro Idalino de Marcos, segue foragido e é procurado por feminicídio consumado e feminicídio tentado.
De acordo com o registro policial, o primeiro crime ocorreu em data e horário ainda imprecisos, mas a investigação aponta que a adolescente Maria Rita Bento dos Santos foi morta ao menos 12 horas antes de o corpo ser localizado, na noite de segunda-feira (9). A jovem mantinha um relacionamento com o suspeito e esteve na residência dele dias antes do crime, mesmo contra a vontade do homem, segundo relatos anteriores feitos à mãe da vítima.
Maria Rita havia deixado de manter contato com familiares e não comparecia ao trabalho havia aproximadamente quatro dias. No sábado anterior, o suspeito chegou a enviar à mãe da jovem uma fotografia dela aparentemente dormindo.
Preocupada com o desaparecimento, a mãe da adolescente registrou ocorrência e, durante a elaboração do boletim, a Polícia Civil tomou conhecimento de que o mesmo homem já era apontado como autor de uma tentativa de feminicídio contra uma ex-namorada. Diante das informações, a mulher decidiu ir até o endereço do suspeito, na região do Jardim Califórnia, zona Oeste de Marília.
No local, após insistir na portaria do condomínio e alegar que acreditava que a filha estivesse morta no interior do imóvel, a mãe teve a entrada autorizada. Mesmo sem acessar o apartamento, ela reconheceu uma toalha de banho pertencente à filha pendurada na janela do banheiro. Ao chamar por Maria Rita e não obter resposta, acionou a Polícia Militar.
Os policiais entraram no imóvel e encontraram a adolescente já sem vida, deitada sobre um sofá. O Samu foi acionado e um médico constatou o óbito ainda no local. Durante a perícia inicial, não foram identificadas perfurações provocadas por arma branca.
Os ferimentos indicavam agressões causadas por objeto contundente. Um martelo com manchas de sangue foi localizado dentro do apartamento e apreendido, sendo apontado como o possível instrumento utilizado no feminicídio.
A equipe pericial também constatou que a cena do crime havia sido alterada. Segundo o boletim, o autor tentou remover vestígios de sangue utilizando toalhas, o que reforça a suspeita de que o crime ocorreu horas antes da descoberta do corpo.
Foram requisitados exames perinecroscópico, necroscópico e toxicológico para subsidiar a investigação, que passou a ser tratada oficialmente como feminicídio.
Enquanto o corpo da adolescente permanecia dentro do apartamento, o suspeito deixou o local e, ainda na segunda-feira (9), voltou a agir de forma violenta. Por volta das 19h, ele localizou a ex-companheira, de 47 anos, que estava dentro do próprio carro, estacionado em frente a uma academia na rua Comendador Fragata.
O suspeito estacionou um veículo logo atrás do automóvel da vítima, desceu e se aproximou da porta da condutora. Em seguida, abriu a porta e passou a agredi-la. Inicialmente, a filha da mulher, que estava próxima, acreditou que se tratava de socos. Pouco depois, percebeu que a mãe havia sido atingida por golpes de faca, ao notar o sangramento.
Testemunhas relataram que o agressor mantinha uma das mãos envolta em uma sacola plástica, possivelmente para segurar a arma utilizada no ataque ou evitar deixar vestígios. Populares ainda tentaram intervir para impedir a fuga, mas não conseguiram.
Diante da gravidade da situação, a filha da vítima optou por não aguardar o resgate e levou a mãe diretamente ao Hospital das Clínicas. A mulher deu entrada em estado grave, e a família foi informada da necessidade de procedimento cirúrgico de emergência, em razão da extensão dos ferimentos. Após o ataque, o suspeito fugiu no veículo utilizado para chegar ao local, tomando rumo ignorado.
A Polícia Militar foi acionada e registrou o caso como feminicídio tentado e violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha. Leandro Idalino de Marcos foi identificado e permanece foragido desde então.
A Polícia Civil, com apoio da Delegacia de Defesa da Mulher, apura agora a ligação direta entre os dois crimes, tratando os episódios como uma sequência de violência contra mulheres cometida pelo mesmo autor em um curto intervalo de tempo.
As investigações seguem para localizar o suspeito e esclarecer completamente a cronologia e a motivação dos ataques.