A imprensa boliviana confirmou que o empresário brasileiro João Henrique Pinheiro será extraditado para a Bolívia ainda na primeira quinzena de abril. A chegada do acusado é aguardada para os próximos dias, para que ele possa enfrentar a Justiça boliviana por uma suposta fraude ligada ao fracassado projeto do Complexo Industrial da Cana-de-Açúcar (Cicasa), na cidade de Bermejo, no departamento de Tarija. A informação é do jornal El País, um dos principais e mais respeitados da Bolívia.
O escândalo teve início em 2019, quando produtores de cana-de-açúcar apostaram na proposta do empresário para a instalação de uma usina capaz de processar 2.500 toneladas diárias de matéria-prima. A promessa de desenvolvimento visava gerar empregos e reativar a economia local, historicamente prejudicada pela falta de infraestrutura e pelas perdas anuais nas colheitas.
No entanto, o projeto se tornou um pesadelo financeiro, deixando um rastro de prejuízos para mais de 400 famílias da região. Segundo Rodolfo Garzón, dirigente da Federação de Canavieiros do Sul (Fecasur) e representante das vítimas, o empresário teria apresentado maquinários e infraestruturas que não lhe pertenciam como garantia de sua proposta. Além de um adiantamento de US$ 700 mil entregue ao empresário, os produtores arcaram com custos elevados em estudos técnicos, compra de terrenos, obras civis e perfuração de poços.
Apesar de ter um mandado com difusão vermelha da Interpol ativo, Pinheiro continuou levando uma vida normal e em liberdade no Brasil, situação que os produtores de Bermejo atribuem à suposta influência do empresário em seu país natal. A prisão ocorreu em 27 de maio de 2025, quando João Henrique Pinheiro foi detido em Madri, na Espanha.
Desde a sua detenção na Europa, o brasileiro esgotou diversos recursos legais para tentar evitar seu envio à Bolívia, chegando a solicitar sua transferência para o Brasil. Seus representantes legais também tentaram acordos de conciliação, mas os produtores afirmaram que nunca houve intenção real de ressarcimento e recusaram as propostas, considerando-as manobras de distração.
A extradição, que encerra uma batalha judicial de quase seis anos, foi viabilizada graças ao trabalho conjunto das autoridades judiciais da Espanha, da Chancelaria boliviana, da Polícia e da Interpol.
Como os prazos da notificação oficial de 45 dias já se esgotaram, o dirigente Rodolfo Garzón afirma que o acusado deverá se submeter ao processo na Bolívia ainda em abril.
As centenas de vítimas do suposto estelionato agora se preparam para reforçar a defesa nos tribunais, mantendo a esperança de recuperar os recursos perdidos e, futuramente, conseguir viabilizar a indústria para o setor canavieiro da região.