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Polícia prende casal por transporte de tirzepatida sem registro da Anvisa em Marília

Foto: Polícia Civil

Uma operação conjunta do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Marília, com informações e apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), realizada na madrugada deste domingo (8), resultou na prisão em flagrante de uma enfermeira e de seu marido pelo transporte de medicamento proibido no Brasil por ausência de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A abordagem ocorreu por volta da meia-noite, no Jardim Morumbi, zona Oeste da cidade.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontaram que a enfermeira estaria comercializando doses de um medicamento à base de tirzepatida, princípio ativo utilizado em tratamentos para diabetes e controle de peso, cujo produto não possui autorização para fabricação, importação ou comercialização no país. A partir dessas informações, equipes do SIG passaram a monitorar o veículo utilizado pela suspeita, um Jeep Renegade.

Durante patrulhamento noturno, os investigadores localizaram o automóvel e, com apoio da PRF, realizaram a abordagem na rua Doutor Rodrigo Argollo Ferrão. No veículo estavam a enfermeira, o marido dela e o pai da suspeita. Questionados inicialmente, os ocupantes afirmaram que não havia nada de ilegal no carro. No entanto, após nova indagação específica sobre a existência de tirzepatida, a enfermeira e o marido admitiram que transportavam o medicamento em mochilas.

Na vistoria, foram encontrados 14 frascos do produto denominado “TirZec 15”, sem registro na Anvisa. Segundo a polícia, cada frasco é comercializado no mercado ilegal por cerca de R$ 3 mil, totalizando aproximadamente R$ 42 mil em medicamentos apreendidos. O casal alegou que os produtos seriam para uso próprio e compartilhamento familiar, negando qualquer tipo de venda ou distribuição.

Apesar da alegação, os policiais deram voz de prisão em flagrante à enfermeira e ao marido pelo crime, em tese, de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto terapêutico ou medicinal. O pai da enfermeira, que também estava no veículo, não foi preso, pois, segundo a apuração, não detinha a posse nem a titularidade dos medicamentos.

O delegado Wanderley Santos, do SIG de Marília, explicou que o medicamento apreendido é considerado proibido no Brasil.

“A tirzepatida encontrada não possui registro junto à Anvisa, o que significa que não passou pelas etapas obrigatórias de avaliação de segurança, eficácia e qualidade. Por isso, a simples posse e o transporte já configuram crime, pois expõem a coletividade a risco concreto à saúde pública”, afirmou o delegado.

Ainda segundo o delegado, os frascos foram encaminhados ao Instituto de Criminalística para exame pericial, a fim de confirmar oficialmente a inexistência de registro sanitário e demais características do produto. Os telefones celulares do casal também foram apreendidos e passarão por análise, como parte da investigação que apura se havia, de fato, comercialização do medicamento.

O veículo utilizado na abordagem não foi apreendido. O casal passou por audiência de custódia neste domingo e foi liberado para responder ao processo em prisão domiciliar.

A Polícia Civil instaurou inquérito para aprofundar as investigações e apurar a origem dos medicamentos, bem como eventual envolvimento de outras pessoas na distribuição do produto irregular.

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