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Serralheiro preso por homicídio diz que matou agiota após dívida chegar a R$ 800 mil

Foto: Reprodução/WhatsApp

O serralheiro M. A. C., de 37 anos, preso sob acusação de matar e ocultar o cadáver de Rafael Francisco Alves Ferreira, alegou em seu interrogatório que o crime foi motivado por uma dívida impagável decorrente de agiotagem. Segundo o depoimento prestado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) , o suspeito afirma ter pago cerca de R$ 800 mil à vítima para tentar quitar um empréstimo inicial muito menor, sofrendo ameaças diárias contra sua família.

De acordo com o relato de M. A. C., a relação financeira começou em novembro de 2024, quando ele tomou R$ 25 mil emprestados de Rafael. Em apenas 30 dias, ele afirmou ter devolvido R$ 33 mil. No entanto, novos empréstimos foram oferecidos e aceitos, elevando o montante principal para R$ 75 mil.

O ponto crítico, segundo o interrogado, envolveu a compra de um veículo Range Rover Evoque, ano 2013, vendido por Rafael por R$ 100 mil. M. A. C. relatou ter dado uma moto de R$ 22 mil, R$ 35 mil em dinheiro e parcelado o restante. Contudo, após atrasar R$ 7 mil referentes a juros, Rafael teria retomado a posse do carro de luxo, mas obrigado M. A. C. a continuar pagando as parcelas e os impostos do veículo que não possuía mais.

No depoimento, o suspeito descreve um cenário de pressão psicológica e financeira. Rafael teria passado a frequentar a serralheria de M. A. C. diariamente, interferindo nas negociações com clientes e apropriando-se diretamente dos pagamentos.

O serralheiro afirmou à polícia que Rafael tomou posse de três automóveis e quatro motocicletas seus. Ele teria transferido, entre bens móveis, imóveis e dinheiro, cerca de R$ 800 mil.

O CRIME

Na tarde do dia 16 de janeiro de 2026, Rafael foi até a empresa cobrar novamente M. A. C., que tentou se esconder no banheiro, mas a vítima forçou a porta.

Ao sair para conversar, M. A. C. alega que foi agarrado pelo pescoço. Nesse momento, seu irmão, M. C., de 39 anos, que também está preso pelo crime, teria atingido Rafael com um golpe de martelo na nuca. Com a vítima caída, M. A. C. confessou ter pegado a ferramenta e desferido mais três golpes na cabeça de Rafael, utilizando em seguida uma corda para estrangulá-lo.

Após o homicídio, M. A. C. colocou o corpo no próprio carro da vítima, um Porsche Macan, e dirigiu até a zona rural de Pompeia. Lá, utilizando gasolina e um isqueiro, ateou fogo no veículo com o cadáver dentro.

Antes de abandonar o corpo, M. A. C. retirou três pulseiras e uma corrente de ouro da vítima. Ele alegou à polícia que sua intenção era vender as joias para “se ver ressarcido, ainda que parcialmente, pelo montante elevado de juros que já havia pago”. As joias foram recuperadas pela polícia na casa do suspeito, escondidas sob o colchão.

Os irmãos permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Civil continua as investigações para corroborar as versões apresentadas e finalizar o inquérito.

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