A Justiça marcou para o dia 25 de novembro a audiência de instrução de Caê Bellini Saldanha, de 21 anos, acusado de matar a gata Charlotte, em Garça. A juíza Nathalia Montanher da Rocha Queiroz negou os pedidos de absolvição sumária e de exame toxicológico imediato feitos pela defesa.
Segundo o Ministério Público, Charlotte era uma gata conhecida e dócil que morava em uma marcenaria na rua Barão do Rio Branco, na Vila Mariana, onde recebia cuidados constantes. Em 11 de maio de 2026, o acusado, que trabalhava a cerca de 20 metros dali e conhecia os hábitos do felino, teria furtado o animal. Câmeras de segurança registraram a movimentação.
Ao ser confrontado pelos tutores no dia seguinte, Saldanha chegou a alegar falsamente que a gata apenas o havia seguido e depois fugido. A farsa foi desmascarada por investigações que revelaram que o animal foi mantido em cativeiro por dias antes de ser submetido a agressões físicas sucessivas na área de lazer do condomínio do réu, terminando com o seu corpo carbonizado em uma churrasqueira.
O caso provocou manifestações populares e campanhas de indignação nas redes sociais pedindo justiça para Charlotte. O MP destacou a extrema crueldade e o planejamento da conduta do acusado, apontando agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel e prática de infração no período noturno.
A acusação exige, além da sanção penal, uma reparação financeira de R$ 200 mil a título de danos morais coletivos, destinada ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa dos Direitos Difusos, e indenização direta aos tutores da gata. A audiência de novembro marcará o depoimento dos policiais, das testemunhas e do próprio réu, por videoconferência, aproximando o processo de uma sentença definitiva.