A situação financeira de Pompeia, os reflexos do desempenho industrial na economia do município, a municipalização do transporte coletivo e o cancelamento da Festa do Peão de 2026 foram alguns dos temas abordados pelo prefeito Diogo Ceschim em entrevista à Jovem Pan News Marília. Durante a conversa, ele detalhou as perspectivas para as receitas municipais, explicou decisões adotadas pela administração e apresentou um balanço inicial da tarifa zero.
Ceschim confirmou que a Festa do Peão não será realizada neste ano devido às dificuldades financeiras e à necessidade de priorizar recursos para serviços e políticas públicas considerados essenciais. Segundo ele, a Prefeitura optou por não anunciar data ou atrações antes de avaliar a capacidade financeira do município.
“A gente viu a necessidade de não realizar a edição da Festa do Peão deste ano. Não fiz o anúncio da festa nem apresentei uma grade. Eu já me antecipei porque não teríamos condições de entregar uma festa à altura da que realizamos no ano passado”, declarou.
Questionado sobre uma programação mais enxuta, o prefeito explicou que os custos não se restringem aos shows e envolvem estrutura, premiações, competidores e boiadas. Conforme Ceschim, reduzir os investimentos poderia comprometer a qualidade do evento e dificultar a participação de atletas de destaque. Ele afirmou que uma nova edição dependerá de planejamento financeiro e da busca por patrocinadores.
Situação financeira
Segundo o prefeito, aproximadamente 80% da receita de Pompeia é proveniente de transferências estaduais e federais, enquanto 20% correspondem à arrecadação própria, composta por impostos, taxas e contribuições municipais.
Ceschim informou que o município deverá registrar, em 2027, uma redução de 5% nos repasses relacionados ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Também apontou um impacto mensal de aproximadamente R$ 130 mil entre 2025 e 2026 em razão de mudanças relacionadas ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte).
Diante desse cenário, o prefeito afirmou que a administração busca ampliar a arrecadação própria sem aumentar a carga sobre os contribuintes. Entre as medidas mencionadas estão a cobrança da dívida ativa, a recuperação de valores não recolhidos e o incentivo à declaração correta dos serviços prestados no município.
Ceschim também destacou a influência da Jacto na geração de empregos e na movimentação do comércio e do setor de serviços. Segundo ele, empresas ligadas às atividades agrícola e agroindustrial foram afetadas nos últimos anos por fatores como mercado, exportações e variações cambiais, com reflexos na economia e na arrecadação dos municípios onde estão instaladas.
Transporte coletivo
O prefeito também apresentou os primeiros resultados da municipalização do transporte coletivo com tarifa zero. Segundo ele, a mudança ocorreu após a Prefeitura avaliar que o modelo emergencial anterior, apesar da melhoria nos veículos, exigia subsídios elevados devido ao número insuficiente de passageiros pagantes.
No sistema atual, a Prefeitura aluga os ônibus e assume as despesas com combustível, motoristas e encargos. A operação conta com três linhas, incluindo a ligação entre Pompeia e o distrito de Paulópolis.
De acordo com Ceschim, 12,5 mil passageiros utilizaram gratuitamente o serviço no primeiro mês. Ele afirmou ainda que a municipalização gerou economia próxima de R$ 150 mil aos cofres públicos em comparação com o modelo emergencial anterior. Para os trabalhadores que utilizavam o transporte regularmente, a economia mensal estimada é de R$ 210 a R$ 220.
O formato da operação poderá ser reavaliado futuramente, inclusive com estudos sobre a compra de veículos ou uma nova concessão. Ceschim afirmou, porém, que a gratuidade será mantida. “A tarifa zero em Pompeia veio para ficar. É um programa de governo e já está incorporado”, declarou.