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Descoberta do primeiro fóssil de dinossauro completa 33 anos em Marília

Foto: Arquivo Pessoal

A descoberta do primeiro fóssil de dinossauro em Marília completa 33 anos como um dos marcos mais importantes da história científica do município, responsável por projetar a cidade no cenário paleontológico nacional. O achado, em 11 de abril de 1993, é lembrado como símbolo do início de uma trajetória de pesquisas que transformou a região em referência na área.

O responsável pela descoberta foi o paleontólogo William Nava, atualmente vinculado à STTDE (Secretaria de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico) da Prefeitura de Marília, que iniciou suas buscas ainda no fim da década de 1980. As escavações, no entanto, são realizadas com recursos próprios, sem apoio financeiro para despesas como combustível, manutenção de veículos e demais custos operacionais.

O primeiro registro ocorreu no leito da estrada municipal entre Padre Nóbrega e Rosália, onde Nava identificou fragmentos ósseos de um titanossauro incrustados em rochas de arenito. Entre os materiais estavam uma escápula com cerca de 80 centímetros, além de costelas e moluscos bivalves fossilizados — descoberta considerada inédita no centro-oeste paulista à época.

Foto: Arquivo Pessoal

“O fóssil que descobri em 1993 estava no leito da estrada municipal Padre Nóbrega–Rosália, incrustado em rochas de arenito, exposto já há algum tempo. Era um osso com cerca de 80 centímetros, além de fragmentos de costelas e moluscos. Me deparar, pela primeira vez, com fósseis aqui na região foi algo indescritível. Eu já gostava desse assunto desde adolescente, então foi uma realização pessoal”, relembra Nava.

A repercussão do achado colocou Marília em evidência no país, em um período em que o interesse por dinossauros ganhava força, ampliando o alcance da descoberta. A partir dali, a cidade passou a ser reconhecida como uma nova fronteira paleontológica.

As pesquisas se expandiram para outras áreas da região e do oeste paulista, com registros em municípios como Pompeia, Oscar Bressane, Adamantina, Presidente Prudente e Lins. Ao longo dos anos, foram identificados fósseis de dinossauros, crocodiliformes, peixes e outros organismos preservados em rochas sedimentares.

Foto: Cristiane Campos

O acervo reunido possibilitou a criação do Museu de Paleontologia de Marília, inaugurado em 2004 e atualmente dirigido por Nava. O espaço se consolidou como referência científica e turística, sendo o único da região com exposição permanente de fósseis e recebendo visitantes de diferentes partes do país.

Outro marco importante foi a descoberta, em 2009, de fósseis de um titanossauro às margens da rodovia SP-333, entre Marília e Júlio Mesquita. As escavações ocorreram entre 2011 e 2012, em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), resultando na recuperação de cerca de 60% a 70% do esqueleto, considerado um dos mais completos do Brasil.

Descobertas associadas ao trabalho do paleontólogo também resultaram em homenagens científicas, com espécies batizadas em sua referência. O Museu de Paleontologia foi reinaugurado em 2022 após reforma viabilizada por recursos do programa MIT.

Foto: Cristiane Campos

“Muito em breve teremos outras novidades que irão destacar ainda mais o nome do Museu de Paleontologia e a paleontologia brasileira. São achados que trazem novas luzes ao entendimento sobre a fauna de vertebrados que habitou o oeste paulista durante o Cretáceo, entre 70 e 80 milhões de anos”, afirma Nava.

A trajetória iniciada há mais de três décadas consolidou Marília como “Terra de Dinossauros” e segue contribuindo para o avanço das pesquisas sobre a fauna pré-histórica da região.

Foto: Cristiane Campos

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