Uma sequência de acontecimentos iniciada após uma briga em um bar terminou com a morte de um homem durante uma abordagem da Polícia Militar (PM), na noite deste sábado (8), em Ocauçu. O caso mobilizou equipes policiais e foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial, disparo de arma de fogo, lesão corporal e resistência. A investigação buscará esclarecer toda a cronologia dos fatos.
O primeiro episódio aconteceu nas imediações do Bar do Israel, onde Adrian Rodrigues da Silva e um motorista discutiram em razão de uma antiga desavença. A vítima afirmou que Adrian foi inicialmente separado por outras pessoas, mas retornou pouco depois acompanhado do pai.
Ao tentar deixar o local de carro, disse que foi segurado pela camisa e agredido por Adrian, perdendo o controle do veículo e colidindo contra um automóvel estacionado antes de conseguir fugir.
Depois de registrar o ocorrido junto aos policiais militares, o motorista foi levado para casa. Minutos mais tarde, um novo chamado ao 190 informou que homens armados estavam nas proximidades do imóvel.
Segundo o relato da vítima, Adrian teria retornado acompanhado de outro homem e efetuado dois disparos de arma de fogo, obrigando a família a buscar abrigo dentro da residência. Apesar das buscas realizadas, a suposta arma utilizada não foi localizada até o momento.
Durante o patrulhamento, os policiais localizaram Adrian caminhando próximo de sua residência. Conforme os depoimentos dos militares, ele teria ignorado as ordens para parar e levantar as mãos e, em seguida, levado uma das mãos à cintura, retirando um objeto escuro.
Diante das informações recebidas instantes antes de que o suspeito estaria armado e teria efetuado disparos, um dos policiais interpretou o movimento como tentativa de sacar uma arma de fogo e efetuou quatro disparos, em duas sequências.
Somente após o encerramento da abordagem foi constatado que o objeto retirado da cintura era uma bainha contendo uma faca. O item foi apreendido pela perícia e será analisado juntamente com os demais vestígios para a reconstrução da ocorrência. A arma funcional utilizada pelo policial também foi recolhida para exames balísticos e de recenticidade de disparo.
A Polícia Civil destacou que, diante dos elementos colhidos até o momento, havia indícios preliminares de que o policial tenha agido acreditando enfrentar uma agressão armada iminente, situação enquadrada juridicamente como legítima defesa putativa. Entretanto, ressaltou que essa avaliação poderá ser confirmada ou afastada apenas após a conclusão de todos os laudos periciais e demais diligências investigativas.
Adrian foi socorrido por uma ambulância municipal e levado ao Hospital das Clínicas (HC) de Marília, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
Após a intervenção, familiares e moradores passaram a se aglomerar no local. Conforme os policiais, o pai de Adrian teria agredido integrantes da equipe com socos, sendo necessária sua contenção com apoio de outras viaturas. Ele sofreu ferimentos durante a imobilização e permaneceu sob atendimento médico.
Além da investigação sobre a morte decorrente da intervenção policial, a Polícia Civil também apura os supostos disparos efetuados anteriormente nas proximidades da residência do motorista e as agressões praticadas contra os policiais durante o atendimento da ocorrência. Todos os laudos periciais, exames médico-legais e análises balísticas integrarão o inquérito que irá definir a responsabilidade de cada envolvido.