Discreta, perseverante e sempre com um sorriso no rosto, Nilda Canato de Carvalho construiu uma trajetória que ultrapassa os limites de sua profissão e se confunde com a história do município. Aposentada, mãe e avó, aos 75 anos de idade, ela tem uma rotina preenchida por aulas de bordado, artesanato, ginástica e estudos sobre o Espiritismo, que ela garante que a tornou uma pessoa mais calma ao longo dos anos.
Nilda nasceu e foi criada na antiga rua Bandeirantes, em Pompeia, onde atualmente fica o Salão do Judô. E nessa rua fez amizades que preserva até hoje. Ali, os pais se estabeleceram com quatro filhos quando se mudaram da cidade de Promissão, e tiveram mais quatro filhos, entre eles Nilda Carvalho.
Trabalhou durante sete anos na empresa Jacto e em um escritório, mas foi como inspetora de alunos da Escola Estadual 17 de Setembro, conhecida como “Grupinho”, que construiu uma história junto às crianças, adolescentes, professores e demais funcionários. Hoje, após 27 anos de dedicação na unidade, fica emocionada com o reconhecimento dos ex-alunos. “É bom quando vêm me cumprimentar. Às vezes, me lembro da fisionomia, mas não do nome”, conta.
Quando reencontra ex-alunos, descobre que já são pais e até mesmo avós. “Uma ex-aluna me falou que se lembra de que, quando tocava o sinal para entrarem para a sala, eu falava ‘Vamos, vamos…’. Fiquei emocionada, emociona bastante”.
Sobre sua atuação como inspetora, afirma que tentou ensinar o caminho certo às crianças. “Quando faltava professor eu ia para a sala de aula. Ajudava os alunos a estudarem para a prova ou mandava fazer as tabuadas”.
Se recorda de tudo com saudade, principalmente do contato com as crianças e com os professores. Uma das lembranças mais felizes é dos desfiles cívicos dos quais a escola participava. “O Seu Lourenço Gonçalves, já falecido, ensaiava a fanfarra. Eu tomava conta das fardas e ajudava a professora de Educação Física a ensaiar as meninas, a fazerem as evoluções”, detalha. Também preserva na memória as Festas Juninas da unidade escolar. “Eram ótimas, o pessoal aproveitava bastante. Tinha churrasco, danças, vinho quente”.
Dos momentos de dificuldade, restou o reconhecimento por ser altruísta. “Tem um ex-aluno que fala que eu sou a segunda mãe dele. Isso porque ele chegava do sítio sem tomar café da manhã e, antes dele entrar na escola, a gente o chamava para comer”, relembra.
O amor de Nilda por Pompeia é o mesmo que sente pela escola onde trabalhou. “Pompeia era diferente, mas eu costumo dizer que é uma cidade onde você pode criar bem os filhos. Vou ficar aqui até os últimos dias.”