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Mulher fica em estado grave após parto em Marília e família denuncia suposto erro médico

Gota de Leite fachada
Prefeitura encerra contrato de gestão com a Gota de Leite. Foto: Reprodução

A Polícia Civil investiga uma suspeita de lesão corporal culposa decorrente de possível erro médico durante um parto realizado na Maternidade Gota de Leite, em Marília. O caso foi comunicado na noite de quinta-feira (11) pela irmã da paciente, uma mulher de 34 anos que permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas de Marília.

De acordo com o relato apresentado à polícia, a paciente, que estava grávida e possuía histórico clínico de risco — incluindo talassemia e complicações em gestação anterior —, procurou atendimento na maternidade na manhã de quarta-feira (10). Após exames que apontaram normalidade nos batimentos cardíacos do bebê, ela teria manifestado o desejo de realizar uma cesariana, opção aceita pela médica responsável, com previsão de agendamento para data posterior.

Ainda segundo o boletim, a paciente não foi internada naquele momento sob a justificativa de ausência de anestesista na unidade. Durante a madrugada, após o rompimento da bolsa amniótica, ela retornou ao hospital e iniciou trabalho de parto.

Familiares relatam que a equipe médica teria optado inicialmente pelo procedimento por via vaginal. A gestante teria permanecido por várias horas em trabalho de parto, relatando dores intensas, sem que houvesse, segundo o acompanhante, reavaliação médica adequada diante das queixas apresentadas.

Com a troca de plantão na manhã seguinte, uma nova médica assumiu o atendimento e teria constatado evolução significativa da dilatação e sinais de possível agravamento do quadro clínico. Diante da situação, foi indicada a realização de cesariana, especialmente após o surgimento de sangramento.

Após o nascimento do bebê, que veio ao mundo com vida e aparentemente saudável, a paciente apresentou hemorragia grave. Exames e procedimentos posteriores teriam identificado suspeitas de lesões em estruturas internas, incluindo bexiga e vasos sanguíneos, o que exigiu sua transferência urgente ao Hospital das Clínicas.

No HC, a mulher teria dado entrada em estado crítico, sendo submetida a manobras de reanimação, uso de medicamentos e diversas transfusões de sangue.

Durante as intervenções cirúrgicas para controle da hemorragia, médicos teriam identificado falhas técnicas em procedimentos anteriores, incluindo suturas consideradas inadequadas envolvendo artéria, bexiga e intestino — circunstâncias que teriam contribuído para a continuidade do sangramento.

A paciente precisou passar por novas cirurgias, incluindo uma histerectomia — retirada do útero —, procedimento irreversível que resultou na perda de sua capacidade reprodutiva. Após os procedimentos, ela foi intubada e colocada em coma induzido para estabilização do quadro clínico. A mulher permanece internada sob cuidados intensivos, enquanto o recém-nascido segue em acompanhamento neonatal, separado da mãe.

O caso foi registrado como lesão corporal culposa por inobservância de regra técnica de profissão. A Polícia Civil conduz as investigações para apurar as circunstâncias do atendimento prestado e eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos.

Em nota, a Maternidade Gota de Leite informou que a paciente recebeu toda a assistência preconizada pelo Ministério da Saúde, mas que ocorreu uma emergência obstétrica, sendo conduzida conforme os protocolos vigentes.

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