A região de Marília registrou apenas um foco de calor em agosto deste ano, redução de 95% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram contabilizados 20 registros. Os dados são do sistema BDQueimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e integram o monitoramento realizado durante a temporada de estiagem.
O recuo acompanha o resultado observado no estado de São Paulo, que registrou 171 focos de calor em agosto de 2026, o menor número para o mês desde o início da série histórica, em 1998. O total representa queda de 65% na comparação com os 494 focos contabilizados em agosto do ano passado e ficou 83% abaixo da média histórica de 996 ocorrências.
Até então, o menor resultado estadual para agosto havia sido registrado em 2022, com 315 focos. O maior ocorreu em 2024, quando São Paulo contabilizou 3.612 registros.
Os focos de calor são identificados por satélites a partir de anomalias térmicas na superfície e utilizados para localizar áreas que precisam de verificação e eventual atuação das equipes de fiscalização. Um foco, entretanto, não corresponde necessariamente a um incêndio, uma vez que outras situações, como queimadas prescritas, também podem produzir alterações térmicas.
Segundo a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), o resultado foi influenciado pelas condições meteorológicas, com chuvas acima do habitual, e pela intensificação das ações de prevenção, fiscalização e monitoramento. Apesar da redução, a pasta informou que as equipes permanecem mobilizadas porque a temporada de estiagem continua.
Para 2026, o Governo de São Paulo anunciou mais de R$ 400 milhões em investimentos e ações preventivas. Entre as medidas estão o monitoramento meteorológico e dos focos de calor, o uso de imagens de satélite, sensoriamento remoto e inteligência artificial, além da preparação das equipes e da fiscalização de áreas consideradas prioritárias.
Na Fase Vermelha da operação estadual, iniciada em julho e prevista até outubro, técnicos da Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental já percorreram 3.151 quilômetros durante 316 horas e 53 minutos de monitoramento. O trabalho envolve 27 profissionais e inclui orientação à população, distribuição de materiais informativos, acompanhamento de áreas de risco e identificação de locais que precisam de melhorias em aceiros.
As ações integram a Operação São Paulo Sem Fogo, que reúne órgãos estaduais, municípios, concessionárias e representantes do setor produtivo na prevenção e no combate aos incêndios florestais.