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Relato de sobrevivente aponta simulação de pane antes de queda de avião em Marília

Foto: Samantha Ciuffa/O DIA

Um depoimento crucial lançou luz sobre as circunstâncias da queda da aeronave de pequeno porte que deixou dois mortos e um ferido na manhã de 10 de junho de 2026, em Marília. O único sobrevivente da tragédia, que viajava no banco traseiro, relatou às autoridades que o acidente aconteceu enquanto os pilotos realizavam uma simulação de pane em um dos motores.

O avião caiu em um campo de futebol da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), próximo ao Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich. O impacto violento e o incêndio que atingiu a aeronave resultaram na morte dos pilotos Gabriel Maloni e Henrique Guariente. O sobrevivente, morador de Maringá (PR), foi resgatado com vida graças à ação rápida de trabalhadores que estavam no clube, antes mesmo da chegada de equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros.

De acordo com o depoimento oficial, o passageiro contou que recuperou gradativamente a memória dos fatos após o trauma. Ele revelou que a manobra havia sido planejada na noite anterior ao acidente. Durante um jantar, em 9 de junho, Gabriel e Henrique comentaram que pretendiam realizar uma simulação no dia seguinte, descrita por eles como “voando monomotor”.

Durante o voo, com Gabriel atuando como piloto principal e Henrique como copiloto, a tripulação decidiu colocar o plano em prática. Segundo o sobrevivente, os pilotos desligaram um dos motores durante o voo. Em seguida, religaram esse motor e desligaram o outro, invertendo a ordem do procedimento.

Enquanto a aeronave operava com apenas um motor em funcionamento, os pilotos tentaram realizar um procedimento de pouso. Contudo, por questões operacionais, possivelmente em razão da alta velocidade na aproximação, foi necessário abortar a descida e realizar uma arremetida.

Foi nesse momento que ocorreu o acidente. Segundo depoimento, a queda aconteceu quando o comandante Gabriel tentou religar o segundo motor que havia sido desligado. Até o momento, não há indícios de falha mecânica.

MANUTENÇÃO /O depoimento também confirmou o contexto do voo. A aeronave pilotada por Gabriel havia passado por uma manutenção no trem de pouso e possuía pendências documentais, embora a revisão anual ainda estivesse dentro do prazo.

O voo de teste é um procedimento comum após serviços de manutenção, para verificar se todos os sistemas estão funcionando corretamente antes de a aeronave retornar ao seu destino final.

O local do acidente foi isolado logo após a queda e periciado pela Polícia Científica e pelo Seripa IV (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O caso também é investigado pela Polícia Civil de Marília.

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