A continuidade do serviço de neurocirurgia do SUS mantido pela Santa Casa de Marília foi garantida após reunião realizada na tarde desta terça-feira (19), na sede da Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo, entre o prefeito Vinicius Camarinha e o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva. O encontro ocorreu dias após a instituição alertar para o risco de inviabilização financeira do atendimento, considerado referência regional em procedimentos de alta complexidade.
Segundo a Santa Casa, o subfinanciamento dos procedimentos realizados pelo SUS gera déficit operacional estimado em R$ 250 mil mensais apenas na área de neurocirurgia. Em 19 meses de funcionamento sob responsabilidade integral do hospital, o prejuízo acumulado já alcança cerca de R$ 4,75 milhões.
O serviço atende pacientes com quadros graves e tempo-dependentes, como AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais), traumatismos cranianos e hemorragias cerebrais, além de realizar cirurgias eletivas de alta complexidade, incluindo retirada de tumores cerebrais. A estrutura atende população estimada em mais de 1,3 milhão de habitantes vinculados ao DRS 9 (Departamento Regional de Saúde) de Marília.
Além do prefeito e do secretário estadual, participaram da reunião a primeira-dama Tássia Camarinha, a secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, e o diretor administrativo e financeiro da Santa Casa, João Luís Castro Vellucci.
Ao final do encontro, Vinicius Camarinha afirmou que houve acordo para manutenção integral do serviço.
“O problema está resolvido. A população de Marília e da região continuará sendo atendida normalmente. Tomamos a frente dessa situação e tivemos um bom entendimento. Vamos fazer o que precisa ser feito porque a nossa população já sofreu muito e estamos nesse processo de recuperação dos serviços do município”, afirmou.
O prefeito também ressaltou que a administração municipal não admitiria a interrupção de um serviço considerado essencial para a rede pública regional.
“Seria inadmissível suspender esse trabalho de neurocirurgia em Marília. Ainda que o serviço seja do Estado, vamos enfrentar, para que a população, sobretudo a mais carente, não perca qualidade na saúde. A nossa gestão não permitirá o fechamento de nenhum serviço de saúde”, declarou.
De acordo com a pasta estadual, a Prefeitura de Marília realizará os aportes necessários para manutenção do serviço, que possui gestão municipal, enquanto o Estado seguirá apoiando financeiramente a Santa Casa por meio dos repasses da Tabela SUS Paulista, programa criado pelo Governo de São Paulo para ampliar o financiamento de hospitais filantrópicos que atendem pelo SUS.
Ainda conforme o Estado, o programa paga até cinco vezes mais do que os valores da tabela federal, considerada historicamente defasada, com o objetivo de ampliar a capacidade assistencial e garantir maior sustentabilidade financeira às Santas Casas e entidades filantrópicas.
Desde 2024, a Santa Casa de Marília já recebeu R$ 70,4 milhões adicionais em recursos estaduais pelos atendimentos realizados no âmbito da Tabela SUS Paulista.
HEMODIÁLISE /Durante a reunião, também foi discutida a ampliação do serviço de hemodiálise da Santa Casa. O projeto em estudo prevê a implantação de 25 novas cadeiras, o que poderá ampliar em cerca de 150 pacientes a capacidade de atendimento regional.
Vinicius afirmou que o avanço nas negociações da hemodiálise também foi resultado do encontro com o Governo do Estado. “O serviço vai continuar e fomos além, pois conseguimos ampliar o atendimento de hemodiálise, que passará a atender mais 150 pessoas. A saúde para a nossa gestão é prioridade”, concluiu.