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Inteligência artificial ajuda a organizar filas da saúde em Marília

A utilização da IA (Inteligência Artificial) para melhorar o atendimento na saúde pública e contribuir para a redução das filas de espera por consultas com especialistas foi tema de entrevista concedida à Jovem Pan Marília nesta terça-feira (20). O coordenador dos cursos de Tecnologia da Unimar (Universidade de Marília), Caio Saraiva Coneglian, e a superintendente do HBU (Hospital Beneficente Unimar), Márcia Mesquita Serva, apresentaram uma solução tecnológica desenvolvida na instituição para auxiliar na organização das solicitações de atendimento na rede municipal.

A iniciativa integra uma parceria entre a Unimar, o HBU e a Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal da Saúde. O trabalho utiliza ferramentas de inteligência artificial para analisar informações, identificar inconsistências nos registros e auxiliar na classificação das demandas, com o objetivo de tornar mais eficiente o encaminhamento dos pacientes aos serviços especializados.

Durante a entrevista, Coneglian destacou a importância de desenvolver tecnologias capazes de solucionar problemas reais da população. Segundo ele, uma das aplicações criadas na universidade já está voltada ao desafio enfrentado pela saúde pública de Marília, especialmente na organização das filas de espera.

O coordenador explicou que a solução reúne diferentes recursos tecnológicos, incluindo visão computacional, utilizada para identificar informações em documentos, e machine learning, técnica de aprendizado de máquina que permite analisar dados e estabelecer prioridades conforme critérios definidos.

Um dos principais desafios apresentados durante a entrevista foi o grande volume de solicitações acumuladas na rede municipal. Conforme Márcia Mesquita Serva, havia aproximadamente 200 mil fichas de pacientes que passaram pelas unidades básicas de saúde e aguardavam encaminhamento para especialistas. Entretanto, a quantidade de registros não corresponde necessariamente ao número de pessoas à espera de atendimento.

A superintendente esclareceu que o levantamento pode incluir fichas duplicadas, registros incompletos e solicitações de pacientes que já tiveram suas necessidades resolvidas, mas continuam constando na relação. Esse cenário dificulta a identificação da demanda real e a definição das prioridades.

Segundo Márcia, a análise manual de cada documento exigiria um grande número de profissionais e tornaria o processo mais demorado. A inteligência artificial surge, portanto, como uma ferramenta para auxiliar na organização dessas informações e facilitar o trabalho das equipes responsáveis pelos encaminhamentos.

Outro aspecto destacado foi a necessidade de considerar a condição de saúde de cada paciente, e não apenas a ordem cronológica de entrada na fila. Para a superintendente, o tempo de espera não pode ser o único fator utilizado na definição dos atendimentos.

“Saúde precisa ter prioridades. E a prioridade não é o tempo que eu estou na fila, e sim a oportunidade do cuidado”, afirmou Márcia.

A proposta é que a tecnologia contribua para identificar as solicitações que exigem maior atenção, com base em critérios técnicos e clínicos, além de permitir uma organização mais precisa dos registros. A ferramenta atua como apoio aos profissionais e gestores, sem substituir a avaliação dos responsáveis pelas decisões assistenciais.

O projeto faz parte das atividades do Centro Avançado de Inteligência Artificial na Saúde, lançado neste mês pela Unimar, pelo HBU e pela Prefeitura. A iniciativa busca aproximar o conhecimento acadêmico e tecnológico das necessidades da rede pública.

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