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Liderança despreparada pode comprometer resultados e travar crescimento de empresas

Foto: Aline Jimenes/Jovem Pan News Marília

A falta de preparo para exercer funções de liderança pode comprometer o desempenho das equipes, dificultar processos internos e limitar o crescimento das empresas. Mais do que conhecimento técnico, a gestão exige capacidade de comunicação, inteligência emocional e habilidade para desenvolver pessoas. Esses são alguns dos desafios destacados pela psicóloga organizacional e empresarial Milene Fontanelli, que atua há mais de 20 anos na área.

Durante entrevista, a profissional chamou a atenção para comportamentos que podem indicar dificuldades na liderança, como comunicação agressiva, resistência a opiniões diferentes, dificuldade em receber feedbacks e centralização de decisões. Segundo ela, esses fatores prejudicam o relacionamento entre gestores e colaboradores e podem criar obstáculos ao desenvolvimento das organizações.

Para Milene, liderar não significa necessariamente dominar todas as atividades ou saber mais do que cada integrante da equipe. O papel do gestor é direcionar pessoas, promover a colaboração e conduzir o grupo em busca dos resultados estabelecidos. Quando o líder concentra as decisões e tem dificuldade para confiar nos demais profissionais, pode acabar limitando o potencial da própria equipe.

Centralização e dependência

Um dos problemas recorrentes nas empresas é a concentração de conhecimentos e responsabilidades em um único funcionário. Embora profissionais experientes possam desempenhar funções essenciais, a ausência de processos organizados e de compartilhamento de informações torna o negócio dependente de pessoas específicas.

A situação pode se agravar quando um colaborador deixa a empresa, precisa se afastar ou não está disponível para executar determinada atividade. Sem outros profissionais preparados para assumir suas responsabilidades, a continuidade do trabalho fica comprometida.

Nesse contexto, a psicóloga destaca que uma liderança eficiente precisa preparar pessoas, delegar tarefas e compartilhar conhecimentos. Um dos sinais de que o trabalho de gestão está funcionando é a capacidade de a equipe manter suas atividades mesmo quando o líder está ausente.

A resistência à mudança também representa um desafio, inclusive entre funcionários com muitos anos de experiência. A chegada de novos profissionais e a necessidade de transmitir conhecimentos podem gerar insegurança e receio de perder espaço. Por isso, cabe à gestão criar condições para que a experiência acumulada seja compartilhada e contribua para o desenvolvimento coletivo.

Comunicação e feedback

A disposição para ouvir é outro aspecto fundamental da liderança. De acordo com Milene, o feedback pode ajudar o gestor a reconhecer comportamentos que precisam ser revistos e a identificar oportunidades de desenvolvimento profissional.

Para isso, é necessário que exista abertura para receber opiniões da equipe sem interpretar automaticamente as críticas como questões pessoais. Ao reconhecer pontos de melhoria e adotar novas atitudes, o líder pode fortalecer a confiança dos colaboradores e aprimorar o ambiente de trabalho.

A psicologia organizacional contribui nesse processo por meio de ferramentas como pesquisas de clima, conversas com funcionários e acompanhamento das relações profissionais. A avaliação externa também pode ajudar a identificar problemas que nem sempre chegam ao conhecimento dos proprietários e diretores.

A profissional ressalta, ainda, a importância de procurar apoio especializado antes que os conflitos atinjam níveis mais graves. Muitas empresas recorrem a esse tipo de trabalho somente quando os problemas já estão instalados, o que torna a reorganização das equipes e dos processos mais complexa.

Empresas familiares exigem atenção

Os desafios podem ser ainda maiores nas empresas familiares, em que relações profissionais se misturam aos vínculos pessoais. Situações envolvendo pais e filhos, irmãos ou casais podem dificultar cobranças, avaliações de desempenho e decisões sobre permanência ou desligamento de funcionários.

Nesses casos, uma orientação profissional pode ser interpretada como uma crítica pessoal, afetando tanto o ambiente de trabalho quanto a convivência familiar. Para Milene, estabelecer limites entre os papéis exercidos dentro da empresa e nas relações pessoais é essencial para reduzir conflitos.

A psicóloga recomenda cautela na contratação de familiares, especialmente quando não existem critérios claros de desempenho, responsabilidades definidas e disposição para lidar com eventuais problemas profissionais. O auxílio de um especialista externo pode contribuir para conduzir essas situações com maior imparcialidade.

Psicologia organizacional

A atuação da psicologia organizacional vai além da análise do comportamento individual. O trabalho também envolve compreender os processos internos, identificar dificuldades entre setores e contribuir para que as equipes atuem de forma integrada.

Segundo Milene Fontanelli, investir na preparação de líderes, na comunicação e na organização das atividades permite que as empresas identifiquem problemas com antecedência e desenvolvam soluções mais consistentes.

O fortalecimento da gestão de pessoas, portanto, não deve ser considerado apenas uma resposta a crises, mas parte da estratégia de desenvolvimento empresarial. Ao valorizar o diálogo, compartilhar conhecimentos e preparar profissionais para assumir responsabilidades, as organizações ampliam sua capacidade de adaptação e criam condições mais favoráveis para crescer de maneira sustentável.

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