A Amae (Associação Mariliense de Amor-Exigente) completou 35 anos de atuação no município contabilizando cerca de 90 mil atendimentos realizados desde a fundação. Apesar da marca expressiva, a entidade alerta para a redução na procura pelos encontros presenciais após o período da pandemia.
A primeira reunião aberta ao público ocorreu em 1991 e, desde então, os atendimentos foram realizados de forma contínua, com interrupção apenas durante a Covid-19. Segundo a entidade, o cenário atual ainda reflete os impactos desse período, com diminuição significativa da participação nas atividades presenciais.
De acordo com a cofundadora da Amae, Vera Gelás, o número de atendimentos vai além do registrado oficialmente, já que a associação também atuou em escolas, empresas e ações de divulgação em municípios da região. “Tem sido um trabalho compensador; cremos ter ajudado muitas famílias a se reestruturarem e muitos jovens a encontrarem seus caminhos de realização pessoal. E nós, voluntários, também fomos ajudados porque este trabalho é de mútua ajuda”, afirmou.
A preocupação, no entanto, está na queda da presença nos encontros semanais. Antes da pandemia, as reuniões chegavam a reunir cerca de 100 pessoas por semana, número que hoje é consideravelmente menor. “Nosso salão foi esvaziado. O hábito de permanecer em casa e buscar ajuda digital impactou diretamente na participação”, destacou Vera.
Segundo ela, o trabalho presencial é fundamental para o método aplicado pela entidade. “O olho no olho, o abraço fraterno e o respeito que se estabelece fazem diferença. O Amor-Exigente precisa da atuação presencial para que as pessoas colham bons frutos”, ressaltou.
A iniciativa é baseada no programa Amor-Exigente, criado em 1984 pelo padre Haroldo Rahm, e tem como foco o apoio a pessoas que enfrentam problemas relacionados a vícios ou dificuldades de convivência. O atendimento é gratuito, voluntário e pautado em princípios éticos e no sigilo das informações compartilhadas.
Entre os relatos de quem já participou está o de Elizabete Bueno Lemes, que frequentou a associação por mais de um ano. “Eu ia buscar acolhimento e orientação. Não foi fácil, mas com a técnica correta consegui mudar comportamentos e relações que geravam sofrimento”, afirmou.
As reuniões da Amae são abertas ao público e ocorrem semanalmente, às segundas-feiras, às 20h, na sede localizada na rua Maria Angelina Zillo Vanin, nº 75, no Jardim Estoril, zona Leste de Marília. Crianças e adolescentes também contam com atividades específicas de apoio.
Segundo a entidade, o objetivo é ampliar o alcance do trabalho e incentivar a participação da população, especialmente diante do aumento dos casos de sofrimento emocional.
A associação reforça que o serviço está disponível à comunidade e pode ser acessado sem necessidade de inscrição prévia.