Marília registrou a apreensão de 333 animais silvestres entre janeiro de 2023 e abril de 2026, segundo levantamento da Polícia Militar Ambiental de São Paulo divulgado pelo Governo do Estado. O dado coloca o município dentro de um cenário estadual marcado pela predominância de aves entre os animais recolhidos em ações de fiscalização.
No recorte de Marília, as cinco espécies mais apreendidas são aves. O coleirinho lidera a lista, com 116 registros, seguido por canário-da-terra, com 36, trinca-ferro, com 24, papagaio-verdadeiro, com 18, e periquito-de-colar, também com 18.
Em todo o Estado, de janeiro de 2023 a abril de 2026, a Polícia Militar Ambiental apreendeu cerca de 43 mil animais silvestres. Desse total, aproximadamente 90% eram aves. Ao todo, foram registradas 488 espécies nas ocorrências, incluindo répteis, mamíferos silvestres e espécies ameaçadas.
Segundo a corporação, cerca de 80% das aves apreendidas são consideradas aves de canto, característica que aumenta a procura no mercado ilegal. Espécies como coleirinho, trinca-ferro, canário-da-terra, curió, bicudo e azulão estão entre as mais visadas por traficantes e compradores.
O volume de apreensões em Marília reforça que a manutenção irregular de animais silvestres ainda é uma prática presente no interior paulista, seja em cativeiros domésticos sem autorização, transporte irregular ou comércio clandestino.
Muitas aves resgatadas apresentam sinais de captura ilegal e maus-tratos, como anilhas adulteradas e lesões nas patas. A anilha é um aro de identificação que comprova a origem legal da ave, mas pode ser usada de forma irregular para tentar simular procedência autorizada.
Além de configurar crime ambiental, a retirada de animais da natureza compromete o equilíbrio ecológico, já que muitas aves atuam na dispersão de sementes, no controle de insetos e na manutenção da biodiversidade.
A orientação para quem presencia cativeiro irregular ou tráfico de animais silvestres é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível fazer denúncia pelo Disque-Denúncia 181, pela Delegacia Eletrônica de Proteção Animal e pelos canais da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.