“É necessária uma aldeia inteira para educar uma criança.” Foi com o espírito desse provérbio que um grupo de mães de Marília se uniu em torno da maternidade. A história começou em um programa conduzido por uma doula, com o objetivo de acolher mulheres que acabavam de dar à luz. Os encontros agradaram tanto que as participantes criaram um grupo de WhatsApp, um espaço para tirar dúvidas, dividir experiências e, sobretudo, não se sentir sozinhas.
“Lá a gente fala sobre absolutamente tudo. Costumamos dizer que é um grupo sem julgamento”, conta Larissa Barduchi, uma das integrantes e mãe de um casal. Segundo ela, o propósito inicial era cuidar da saúde emocional das mães no pós-parto. O grupo existe há pelo menos dois anos e, além das trocas pelo aplicativo, as mães se reúnem presencialmente de tempos em tempos.
Os encontros ganharam até nome próprio: “Encontro das Mães Cansadas”. São cerca de 30 mulheres, com idade média de 30 anos, a maioria mães de bebês. Entre elas, uma integrante de 45 anos chama atenção: já tinha duas filhas, de 15 e 18 anos, e acreditava que não engravidaria mais – até que chegou um bebê, hoje com dois anos de idade. “Ela fala que foi mãe numa época diferente e precisa se adaptar aos dias de hoje. A gente dá dicas, fala sobre escolas, introdução alimentar, cadeirinha de carro… tem de tudo. Até coisas que não têm nada a ver com maternidade. É um grupo que não para”, conta Barduchi.
O que une a maioria delas vai além da fase da vida: há um conjunto de valores em comum, como a valorização do aleitamento materno, do parto normal e de uma criação respeitosa e positiva. Para Barduchi, a experiência rendeu um conselho que ela faz questão de compartilhar: “Independentemente de estar precisando de ajuda ou não, procure conviver com pessoas que estejam passando pelo mesmo momento que você. Tente achar outras mães que estão na mesma fase.”
O grupo segue ativo e cheio de planos. Agora, as mães tentam se organizar para retomar a atividade física. “Sabemos que é difícil voltar ao corpo de antes, mas é importante. A gente acaba se deixando de lado”, conclui Barduchi, lembrando que cuidar de quem cuida também faz parte do processo.