Segundo a denúncia assinada pelo promotor Richard Fabrício Messas, os atos criminosos tiveram início no dia 11 de maio de 2026. Por volta das 17h30, o suspeito aproveitou o fim do expediente para furtar a gata, que ficava habitualmente em uma marcenaria próxima ao seu local de trabalho.
Câmeras de segurança registraram o momento em que o jovem carregava o animal. Ao ser questionado no dia seguinte pelos tutores da gata, o acusado mentiu, afirmando que o felino o havia seguido e depois fugido de sua casa. Para o MP, a ação demonstra que o crime foi premeditado.
A brutalidade que gerou revolta nacional ocorreu dias depois, entre a noite de 15 de maio e a manhã de 16 de maio, na área de lazer de um condomínio no centro de Garça, onde o acusado residia. Imagens das câmeras de monitoramento flagram o suspeito segurando Charlotte pela cauda e arremessando-a diversas vezes contra as paredes de vidro do hall.
As filmagens revelam que, ao perceber que a gata ainda se movimentava e apresentava sinais de vida, o agressor continuou a sessão de tortura com novas pancadas e arremessos. Utilizando uma garrafa de óleo de soja e um líquido inflamável semelhante a álcool, carbonizou o animal dentro de uma churrasqueira do condomínio. Os restos mortais foram encontrados pelo porteiro do prédio na manhã seguinte.
Apesar de ter passado por audiência de custódia anteriormente e ter sido liberado, o MP requer agora a decretação imediata da prisão preventiva do acusado. A justificativa baseia-se na periculosidade concreta, evidenciada pelo modus operandi sádico e brutal, e no histórico anterior ao crime.
Além disso, a promotoria destacou que o acusado apresenta risco à aplicação da lei penal, visto que mudou de residência e de cidade sem autorização ou comunicação prévia à Justiça, descumprindo as medidas cautelares. A Polícia Civil tentou localizá-lo duas vezes para novas intimações, mas a mãe do acusado se recusou a informar seu verdadeiro paradeiro.
O caso de Charlotte gerou intensa comoção social e mobilização digital em todo o Brasil. Moradores de Garça promoveram panfletagens, mobilizaram vereadores na Câmara Municipal e organizaram manifestações exigindo justiça pelo caso. Para o Ministério Público, a indignação pública reforça a urgência da prisão para garantia da ordem pública.
Na esfera penal, o acusado responderá por furto de animal doméstico e maus-tratos a animal com resultado morte. A denúncia aponta ainda três agravantes: motivo torpe, emprego de meio cruel e a prática em período noturno.
Além da condenação à prisão, o MP exige punições financeiras rigorosas. Foi solicitado que o acusado pague uma indenização por dano moral coletivo em valor não inferior a R$ 200 mil, quantia que será destinada ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa dos Direitos Difusos. A denúncia pede, por fim, que a Justiça arbitre uma indenização extra pelos graves danos morais, abalo emocional e sofrimento causados aos tutores da gata.