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Neurocirurgia do SUS na Santa Casa enfrenta risco de encerramento em Marília

Foto: Divulgação

O serviço de neurocirurgia do SUS mantido pela Santa Casa de Marília corre risco de encerramento. A instituição afirma que o subfinanciamento dos procedimentos pelo sistema público de saúde gerou um déficit operacional estimado em R$ 250 mil por mês na área — valor que, acumulado ao longo dos 19 meses de funcionamento sob responsabilidade integral do hospital, já soma cerca de R$ 4,75 milhões.

O serviço atende pacientes com quadros graves e tempo-dependentes, como AVCs, traumatismos cranianos e hemorragias cerebrais, além de realizar cirurgias eletivas de alta complexidade, incluindo a retirada de tumores cerebrais. A área de abrangência cobre uma população estimada em mais de 1,3 milhão de habitantes vinculados ao DRS IX, o Departamento Regional de Saúde de Marília.

Segundo a direção da Santa Casa, a ampliação do serviço ocorreu a pedido do Estado, após a interrupção do atendimento que era realizado pelo Hospital das Clínicas. Para assumir a demanda regional, o hospital realizou investimentos próprios superiores a R$ 1,2 milhão, que incluíram a implantação de uma nova UTI, adequações na estrutura física e aquisição de equipamentos. A contratação de equipes multiprofissionais especializadas adicionou um custo fixo mensal de aproximadamente R$ 200 mil.

A instituição aponta a defasagem entre os valores pagos pelo SUS e os custos reais dos procedimentos como o principal problema. O exemplo mais emblemático envolve as cirurgias de tumores cerebrais: somente o aluguel dos equipamentos específicos utilizados nesses procedimentos pode chegar a R$ 15 mil, enquanto o valor total repassado pelo sistema público gira em torno de R$ 7 mil — menos da metade do custo de apenas um dos itens envolvidos, sem considerar médicos, anestésicos e demais materiais, de acordo com a unidade.

A direção do hospital alerta que a continuidade desse cenário pode comprometer não apenas a neurocirurgia, mas outros serviços essenciais mantidos pela entidade. A situação já foi comunicada formalmente à Secretaria Municipal de Saúde, à Prefeitura de Marília, ao DRS-IX e ao Ministério Público. A Santa Casa informa que busca diálogo com gestores públicos estaduais e municipais para construção de alternativas de financiamento.

Por ora, os atendimentos seguem sendo realizados normalmente. O hospital, porém, afirma que, sem definição sobre novos aportes financeiros, a continuidade do serviço regional de neurocirurgia do SUS poderá ser inviabilizada em curto prazo.

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