Uma das etapas mais importantes da investigação sobre a queda do avião que matou dois pilotos em Marília foi realizada na tarde desta terça-feira (28). Técnicos do 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Seripa IV, órgão vinculado ao Comando da Aeronáutica e ao Ministério da Defesa, realizaram a perícia no grupo motopropulsor da aeronave acidentada, buscando identificar se houve algum tipo de falha mecânica que possa ter contribuído para a tragédia.
Os trabalhos começaram por volta das 14h, na Oficina Marília de Aviação, localizada nas dependências do Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich. A ação foi acompanhada por representantes da Polícia Civil, que conduz inquérito para apurar as circunstâncias do acidente.
Durante a inspeção, os especialistas examinaram detalhadamente os motores e demais componentes do sistema de propulsão da aeronave. Com a conclusão da análise física, o material e as informações coletadas passam agora por avaliação técnica, que servirá de base para a elaboração de um laudo pericial.
O documento será considerado peça-chave tanto para o inquérito da Polícia Civil quanto para a investigação conduzida pelo Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). A expectativa é que o resultado permita confirmar ou descartar a existência de alguma falha mecânica nos motores ou em componentes relacionados ao sistema de propulsão.
ACIDENTE /A queda da aeronave ocorreu na manhã de 10 de junho, por volta das 11h50, quando um Beech Aircraft 58 Baron, de prefixo PT-MDB, caiu no campo de futebol da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), em uma área ao lado do Aeroporto de Marília.
O avião era utilizado em operação privada e transportava três ocupantes. Os pilotos Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, e Henrique Guariente Filho, de 47 anos, morreram no local. Um terceiro ocupante sobreviveu ao acidente e prestou depoimento às autoridades.
Segundo relato prestado à Polícia Civil, a aeronave realizava um voo de teste após passar por manutenção no trem de pouso. Durante o procedimento, os pilotos teriam decidido executar uma simulação de voo monomotor, desligando alternadamente cada um dos motores. Conforme o sobrevivente, a prática adotada contrariava os protocolos de segurança, que recomendam apenas a redução da potência dos motores, e não o desligamento completo.
Ainda de acordo com o depoimento, durante o voo não foi percebida qualquer falha mecânica. O acidente aconteceu quando a aeronave se aproximava para o pouso e precisou arremeter. Nesse momento, o piloto tentou religar o segundo motor, ocasião em que o avião perdeu sustentação e caiu.
Com a conclusão da perícia realizada nesta terça-feira, os investigadores irão confrontar os resultados técnicos com os depoimentos das testemunhas, documentos e demais elementos já reunidos durante a apuração.