Na próxima quinta-feira (4), os motoristas que utilizam as rodovias sob gestão da Eixo SP Concessionária de Rodovias passarão a pagar mais pelas tarifas de pedágio. O aumento dos valores faz parte do reajuste anual aplicado em todas as praças administradas pela concessionária e se baseia na atualização da variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), conforme informações divulgadas no site oficial da empresa.
O acréscimo afetará diretamente moradores de Oriente que precisam se deslocar diariamente para trabalhar em outros municípios e utilizam a SP-294, na praça localizada no km 474,8. Nesse trecho, os motoristas passarão a pagar R$ 11,90. Os valores são válidos para veículos de passeio (Categoria 1). Caminhões e ônibus, considerados veículos de outras categorias, pagarão valores diferentes, conforme tabela publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo.
De acordo com a Eixo SP, a revisão anual dos valores está prevista no contrato de concessão firmado com o Governo do Estado. Segundo a concessionária, a medida busca garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos serviços prestados e a continuidade dos investimentos em infraestrutura, segurança e tecnologia nas rodovias administradas. A atualização tarifária foi homologada pela Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo) e publicada no Diário Oficial em 23 de maio.
Quem utiliza sistemas eletrônicos de pagamento continua recebendo 5% de desconto no pedágio para qualquer veículo com tag. Além disso, motoristas de carros de passeio que utilizam pagamento automático têm direito ao DUF (Desconto de Usuário Frequente). O benefício concede descontos progressivos para quem passa mais vezes pela mesma praça de pedágio, no mesmo sentido e dentro do mesmo mês. O desconto começa a valer a partir da segunda passagem e pode chegar a 90% para usuários frequentes.
O prefeito de Oriente, Matheus Moris, afirmou que a Prefeitura cobrou explicações da Eixo SP sobre o reajuste. “Entramos em contato com a Eixo e perguntamos sobre o reajuste. Eles falaram que os valores constam no contrato firmado com o Governo do Estado. Na minha opinião, pode até ser legal, eles falam que está dentro da lei, mas a gente entende que é imoral e injusto. A gente sabe que o salário não sobe, não há reajuste, cada vez pagamos mais impostos, a carga tributária é sempre maior e agora teremos que pagar mais pedágio”, afirmou.
Moris também destacou que o reajuste influencia diretamente nos cofres públicos municipais. “A frota da Prefeitura não é isenta, a gente paga. Ônibus, caminhões e carros que passam por lá também pagam. Então, isso impacta nos cofres públicos. Acho imoral e injusto, apesar de a Eixo afirmar que é legal”, enfatizou.
Para o advogado especialista em trânsito e mobilidade urbana, Gabriel Augusto Borges, o reajuste dos pedágios na região de Oriente precisa ser analisado não apenas sob a ótica contratual e inflacionária, mas também em relação à qualidade efetiva do serviço prestado ao usuário. “O cidadão aceita pagar tarifas elevadas quando percebe retorno direto em segurança viária, pavimentação adequada, boa sinalização e fluidez no tráfego”, avaliou.
Ele também ressaltou que, embora existam investimentos importantes realizados pela concessionária Eixo SP em alguns trechos concedidos, o aumento recente das tarifas reacende um debate legítimo sobre o custo-benefício percebido pelos motoristas. “Muitos usuários que dependem diariamente das rodovias da região de Oriente para trabalhar, estudar ou transportar mercadorias sentem de forma direta o impacto financeiro desses reajustes sucessivos”, concluiu.